Os patizeiros são os habitantes nativos e descendentes dos povoadores originais do Vale do Pati, no Parque Nacional da Chapada Diamantina. Trata-se de uma comunidade sertaneja tradicional que, após resistir ao isolamento geográfico e às crises agrícolas do século XX, mudou sua dinâmica de subsistência no que é hoje um dos casos de Turismo de Base Comunitário (TBC) mais consolidados do ecoturismo mundial.
A história dessa população é preservada majoritariamente pela tradição oral, conectando o passado de agricultura de montanha ao acolhimento dos caminhantes contemporâneos.
A Origem da Povoação e os Ciclos Econômicos
A ocupação do vale ocorreu em ondas migratórias motivadas por fatores climáticos e econômicos da Bahia:
| Período Histórico | Evento e Dinâmica Socioeconômica | Impacto na Comunidade do Pati |
| Final do Século XIX |
• Grandes Secas na Bahia: Fuga do clima árido do Capão Grande e dos Gerais do Vieira.
• Trilhas de Acesso: Caminhos primitivos via Gerais do Vieira até a Ruinha (Igrejinha). |
Estabelecimento dos primeiros núcleos de policultura (banana, café, cana, milho, feijão e criação de cabras). |
| Augé do Café (1930–1950) |
• Incentivos Federais: Compras estatais de café protegem agricultores da inflação.
• Boom Populacional: O vale atingiu entre 2.000 e 2.500 residentes. |
Construção de infraestruturas em pedra, como o Trecho no Rio Preto e a Ladeira do Cachoeirão. |
| Declínio e Êxodo (1960–1980) |
• Erradicação do Café: Fim dos subsídios governamentais e depreciação dos cafezais pelas chuvas.
• Exaustão do Solo: Acidificação do solo (marcada hoje pela norma de samambaias). |
Migração massiva de jovens para grandes centros (Salvador, Brasília, São Paulo); restaram menos de 100 moradores. |
| Resistência e TBC (1990–Atual) |
• Criação do Parque (1985): Conflitos fundiários resolvidos por termos de conduta nos anos 2000.
• Reorganização do Turismo: Adaptação das casas de pau a pique para acolher caminhantes. |
Retorno de famílias nativas e consolidadas do Turismo de Base Comunitária como principal atividade econômica. |
A Tradição Oral e a Memória do Vale
Sem registros acadêmicos formais nas primeiras décadas, a história do Pati é mantida viva pelos patriarcas e matriarcas da região:
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Sr. Wilson: Um dos líderes comunitários mais antigos (nascido na década de 1940), relatos históricos documentam o avanço paulatino dos agricultores sobre as cabeceiras dos rios Lapinha e Piaba (atual Rio Funis).
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Subsistência e Escambo: Durante as décadas de isolamento, a moeda era escassa. Os patizeiros caminhavam dias até as feiras de Andaraí e Palmeiras para trocar excedentes agrícolas por artigos básicos de fora do vale.
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A Ruinha (Igrejinha): Antigo centro comercial e religioso do vale que concentrava a vida social dos moradores na época de maior densidade demográfica.
Desafios Sustentáveis e o Futuro da Comunidade
A transferência do Vale do Pati entre as travessias de trekking mais famosas do mundo trouxe visibilidade, retorno financeiro e infraestrutura, mas também desafios ambientais e de gestão:
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Tratamento de Efluentes: O principal ponto de atenção monitorado pelo ICMBio é a necessidade de implementação e ampliação de fossas ecológicas (como tanques de evapotranspiração) nas casas de apoio para evitar a contaminação dos lençóis freáticos e cursos d’água.
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Harmonia Ambiental: A comunidade busca equilibrar a renda gerada pelo acolhimento de milhares de visitantes por ano com a preservação da fauna, flora e dos recursos hídricos do Parque Nacional.
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Preservação Cultural: Manter viva a identidade sertaneja, a culinária regional e as histórias dos antigos cafezais frente ao fluxo constante de turistas nacionais e internacionais.
Checklist Prático: Como Interagir Respeitosamente no Pati
Ao se hospedar nas casas dos nativos, adote condutas conscientes do Turismo de Base Comunitária:
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[ ] Respeitar os Rituais Locais: Observar os horários de silêncio e as rotinas das famílias que acolhem os grupos.
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[ ] Economizar Recursos Hídricos e Energéticos: A energia nas casas é majoritariamente solar e a água vem das nascentes da montanha.
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[ ] Valorizar a Culinária Nativa: Consuma os pratos regionais preparados com insumos locais (como a jaca, a banana e hortaliças de roça).
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[ ] Gerenciar Seu Lixo: Traga de volta todo o extermínio gerado durante a caminhada (embalagens, papel higiênico e pilhas).
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quem é considerado um patizeiro legítimo?
É uma pessoa nascida no Seio do Vale do Pati, descendente de famílias de agricultores que povoaram a região entre o final do século XIX e início do século XX.
Quantas famílias de nativos ainda vivem no Vale do Pati?
Atualmente, cerca de 15 casas de nativos operam no acolhimento do turismo comunitário, abrigando núcleos familiares que resistiram ao êxodo rural ou retornaram com a expansão do trekking.
Os nativos são proprietários das terras onde moram?
Por dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina (Unidade de Conservação de Proteção Integral), a permanência das famílias nativas é regulamentada por acordos de convivência e gestão com o ICMBio.
Conclusão: Os Guardiões do Parque Nacional
Os patizeiros são a alma do Vale do Pati . Mais do que oferecer abrigo e comida no final de longos dias de caminhada, a comunidade nativa representa a memória viva de um sertão de montanha que pôde reinventar sua relação com a terra, transformando o isolamento em um modelo mundial de preservação e preservação.


